Motores do Desenvolvimento aponta expectativa de retomada do mercado imobiliário



Levantando informações e perspectivas do mercado imobiliário, a 40° edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, promovida nesta quinta-feira (11) pelo Sistema Tribuna, trouxe  um panorama do mercado local e nacional, a necessidade de inovação e experiências de sucesso no País. Em Natal, a expectativa é de retomada da construção civil, depois que o Plano Diretor começou a vigorar em 2022. O superintendente do Sistema Tribuna, Fernando Fernandes destacou que o desenvolvimento econômico é  pauta principal do seminário. "Retomar o Motores é retomar a cidade, especialmente agora, depois de 14 meses que entrou em vigor o novo Plano Diretor. Queremos fazer dois ou três eventos deste por ano, discutindo o desenvolvimento de Natal e extraindo, não só informações necessárias, mas também resultados das cobranças feitas", pontuou.
 
As discussões foram coordenadas pela arquiteta e urbanista Sophia Motta, que destacou o caráter cíclico do mercado imobiliário. "O pico da construção civil foi em 2011. De lá para cá vem diminuindo. Virando a página, temos um novo Plano Diretor e nesse contexto chega o Motores para reunir esses players, discutir o setor e os caminhos desse mercado tão importante para Natal", enfatizou.
 
No primeiro painel, com a participação dos representantes do Idema (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente) e da Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal), foi apresentado um retrato do mercado imobiliário local, com o levantamento de informações dos órgãos licenciadores.

 

Thiago Mesquita, secretário municipal de meio ambiente e urbanismo de Natal, falou sobre os resultado do novo Plano Diretor. “A tendência é de retomada do mercado imobiliário em Natal. Estávamos com a legislação em desequilíbrio porque não priorizava o aspecto de desenvolvimento econômico, mas  aspectos socioambientais, alguns questionáveis. Começamos a corrigir pela questão conceitual: o fator econômico é tão importante quanto o socioambiental", frisou.
 
Além disso, Mesquita relembrou as mudanças que a Semurb tem promovido para reduzir a burocracia na hora de licenciar empreendimentos. Entre essas, a dispensa de licenciamento para 461 atividades, baseada na legislação federal, o que garante agilidade para micro e pequenos empreendedores. A regulamentação das Zonas de Proteção Ambiental (ZPA's) e o Plano de Manejo do Parque da Cidade são outros avanços citados pelo gestor. A expectativa, segundo ele, é de que, no próximo mês, o prefeito Álvaro Dias encaminhe para os vereadores o novo Código de Obras.
 
As mudanças, relembrou, passam pelo fim da área não edificante em Ponta Negra, preservando o aspecto cênico-paisagístico e pelas novas prescrições urbanísticas da orla, que têm uso misto e não apenas turístico, com possibilidade de multi propriedades na Via Costeira. “Para se ter uma ideia, essas mudanças já estão estimulando consultas prévias na Via Costeira. Temos quatro consultas prévias de projetos protocolados para a Via Costeira”, disse o secretário.
 
O resultado também está na previsão de investimentos que a secretaria contabiliza. " Adotamos também inovação tecnológica para acompanhamento dos processos de licenciamento e investimos em produtividade dando eficiência aos procedimentos. Já atingimos a expectativa de investimentos de R$ 1,1 bilhão para os próximos anos em Natal.", destacou Thiago Mesquita.
Oferta e convencimento é o desafio, dizem especialistas
 
Num painel conjunto os arquitetos e urbanistas Pablo Slemenson,  Washington Fajardo, juntamente com o engenheiro civil Cláudio Dall'Acqua e o Vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sindicato da Construção Civil do RN (Sinduscon),  Francisco Vasconcelos, discutiram sobre as tendências e inovações do mercado imobiliário, com destaque para formas de revitalizar áreas centrais e históricas, como a Ribeira e a Cidade Alta em Natal. Um dos pontos de discussão foi como o mercado pode superar o desafio de ofertar produtos que atendam o que os clientes procuram e convence-los.

Neste sentido, Cláudio Dall'Acqua, que foi diretor de corporação de grandes empresas como a Odebrecht e grupo Iguatemi, ressaltou que para construir a conceituação de um empreendimento é preciso ter a capacidade de associar oportunidades à vocação. “É entender qual o desejo das pessoas, as necessidades e como elas querem viver. A tecnologia vem nos provocando diariamente na mudança dessa vivência. Essa dinâmica é que provoca o mercado imobiliário”, disse.

Natal recebeu elogios dos painelistas, porém, o urbanista Pablo Slemenson, que atua no segmento de alto padrão há 25 anos, diz que ainda falta diversidade de produtos. Ele relembrou que Natal tem cerca de 900 mil habitantes, mais 200 mil pessoas transitando todo dia de outros municípios, além da visita de outros milhares de turistas. “São indivíduos com desejos diferentes, querendo usufruir e habitar espaços diferentes. A orla é maravilhosa e foi destravada com o Plano Diretor, mas falta diversidade de produtos. Mas o mercado se retrai e acaba sendo pouco ousado”, avalia.

 Slemenson é um dos responsáveis por empreendimentos de grande referência, como o shopping Cidade Jardim, na capital paulista, que tem a característica de uso misto. Ele acredita que essa é a tendência de mercado. “Uso misto é conexão, classes sociais diferentes se organizando em espaços compartilhados”, frisou.

E é de novas ideias, oferta de possibilidades e de incentivos que os painelistas do Motores do Desenvolvimento acreditam que se pode revitalizar e repovoar as áreas centrais e históricas. Isso já aconteceu no Rio de Janeiro com o projeto “Reviver Centro”, na gestão de Washington Fajardo como secretário do Planejamento Urbano. No evento, ele enfatizou a importância de convencer e atrair as pessoas para mais perto do centro. “É um desafio de oferta e de convencimento. Eles têm que acreditar que esse centro é bom. No Rio, criamos um mecanismo que bonifica, mas apenas isso não é suficiente. O que acontece no centro também tem que ser bom. Como por exemplo, segurança. Não é um trabalho só de lei e de obras. Tem que criar movimento”, frisou.

Idema quer mais municípios com licenciamento próprio

Um dos objetivos do Motores foi levantar informações da construção civil na cidade e no Estado. Um dado apontado é que dos 167 municípios potiguares, apenas seis fazem o próprio licenciamento. O diretor técnico do Idema, Werner Farkatt, explicou que isso provoca um gargalo na agilização dos processos porque sobrecarrega o órgão.

"A dificuldade é que maior parte dos municípios não têm regramento próprio e não licenciam e isso dificulta porque tem que usar o regramento federal, o que interfere em algumas situações por não estarem em consonância com a realidade do estado. Precisamos que mais municípios para que o Idema possa desafogar esses processos", disse.

 
Mesmo assim, segundo o diretor, em 2022 foram emitidas 400 licenças por mês. "Há períodos com maior pico. Com algumas aplicações dentro do próprio Idema, conseguimos dar mais transparência deixando as regras muito claras", completou.

No Estado, a área litorânea é a mais procurada pelos empreendedores da construção civil, mas Farkatt informou que há uma busca por outras regiões, como a Serrana e a Costa Branca. O tempo de licenciamento é de 6 meses pela legislação, mas em casos de alta complexibilidade, pode ser estendido. "Temos trabalhado para diminuir esse processo a 5 ou 6 meses. Mas temos enfrentado problemas com a qualidade dos estudos que têm chegado, especialmente na zona litorânea que têm exigências paisagísticas", destacou Farkatt.

Fonte: Tribuna do Norte

Foto: Adriano Abreu

12 de maio de 2023

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