Entidades listam desafios para 2023 e criticam alta de tributos



Apesar do otimismo entre as entidades representativas do setor produtivo do Estado, os desafios para os diversos segmentos são vários, alguns deles fruto do desempenho de 2022. Se as alterações no cenário político nacional deixaram a cadeia cautelosa, no âmbito local, algumas medidas já adotadas para 2023 são alvo de crítica, como é o caso da elevação da alíquota do ICMS, que irá de 18% para 20% a partir de abril. Representantes do trade turísticos demonstraram preocupação em relação ao aumento, especialmente porque o setor foi um dos mais afetados pelos anos de pandemia.

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“Tivemos um 2022 de muita luta, com a reativação do setor de hospedagem e alimentação, no período pós-pandemia. Não tínhamos uma economia forte e trabalhamos em cima dessa situação. Para 2023, há um cenário  de dúvidas. O aumento do ICMS transcorre para nós em falta de competitividade e mostra que o cenário só apresentará algo concreto depois do segundo semestre”, observa Habib Chalita presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes Bares e Similares do  Estado (SHBRS), que preferiu não fazer projeções em relação ao futuro.

Para Abdon Gosson, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), a redução de tarifas para o Rio Grande do Norte, aliada a outras ações deve ser prioridade para alavancar o setor. “Hoje as passagens para o RN são as mais altas do País e nossa competitividade frente aos estados vizinhos (PB, PE, CE), fica prejudicada. Outro desafio é tentar reduzir ao máximo o ICMS para termos preços mais competitivos nos serviços. Precisamos de leis de incentivos de redução de impostos para atrair novos equipamentos (hotéis, resorts, parques de diversão e outros)”, pontua Gosson.

Além do turismo, outros setores merecem atenção especial em 2023, conforme indica o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Amaro Sales. “O RN deve atentar para setores estratégicos como fruticultura irrigada, indústria de petróleo e gás, energias renováveis, confecção e têxtil; pecuária, mineração, pesca e 'economia do mar', construção civil e, especialmente, serviços tecnológicos avançados (área de TI)”, detalhou Sales.

“Em todos esses setores o RN apresenta vocação e potencial para atingir patamares de destaque nacional e internacional se conduzidos corretamente”, disse o presidente da Fiern, que descreveu sobre uma maior circulação de recursos no Estado em 2022. “Foi possível constatar, através de dados da Secretaria Estadual de Tributação, que a economia do RN conseguiu fazer girar mais recursos – saímos de uma média de R$ 395 milhões (novembro de 2021) para R$ 456 milhões (novembro de 2022)”, declara.

 “A consequência natural é o aquecimento da economia, especialmente nos setores do comércio e serviços. Diante do risco inflacionário para 2023, e de uma maior retenção econômica global, é prudente esperar uma pequena queda nestes indicadores, mas é algo que o setor produtivo ainda está buscando quantificar”, acrescenta a Fiern.

André Macedo, diretor Financeiro da CDL Natal, defende como prioridade para o novo ano a proteção ao poder de compra do consumidor como forma de estimular o comércio local. “É preciso olhar com carinho para o comércio e serviço locais com políticas de incentivo, especialmente quando se tem a digitalização do próprio consumo e quando temos Estados vizinhos extremamente agressivos para as políticas fiscais”, explica, ao alertar:

“A inflação e alta taxa de juros corroeram o poder de compra. Segundo o Dieese, o custo de vida do cidadão brasileiro subiu 72% de janeiro de 2019 até abril de 2022, e isso refletiu diretamente no comércio. A inadimplência no País, de acordo com o SPC Brasil cresceu em novembro 9,68% em comparação a novembro de 2021. Levantamento da CNDL e do SPC  aponta que quatro em cada 10 brasileiros adultos (40,43%) estão negativados, o maior número da série histórica do levantamento, realizado há 8 anos”, descreve.

“Ainda não temos uma ascensão econômica que seja possível de ser sentida diretamente. Temos sim muitos desafios e incertezas, embora sejamos otimistas por natureza”, complementou, ao defender a redução da máquina pública. “É preciso que o RN diminua o peso da folha de pagamento e concentre-se em fazer bem determinados serviços públicos e incentive os negócios localmente”, conclui André Macedo.

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Fonte: Tribuna do Norte


03 de janeiro de 2023

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