Ano de recuperação, mas tumultuado”, avalia CDL Natal sobre 2022



Retomada em meio à Copa do Mundo e período eleitoral. Fatos que tumultuaram a vida do comércio, mas comemoração em relação à geração de empregos e retorno de faturamento a patamares próximos ao pré-pandemia. Este é o balanço que faz a Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal) sobre o ano de 2022. Em entrevista ao AGORA RN, José Lucena, presidente da CDL Natal, afirmou que os eventos causaram certa turbulência no comércio, que ficou em segundo plano em alguns momentos para o público, mas comemorou os postos de trabalho abertos em outubro.

 

O presidente da entidade afirmou que o comércio da capital potiguar voltou a ter faturamento próximo ao período pré-pandêmico. Um dos fatores defendidos pelo representante dos comerciantes de Natal é que projetos de energias renováveis, como solar e principalmente eólica, têm trazido investimentos privados importantes para o Estado. “Mesmo num ano que Copa do Mundo e eleições acabam trazendo mais ruído que o normal para o mercado, especialmente quando se refere ao consumo, é preciso dizer que o Rio Grande do Norte teve em 2022 um cenário favorável para os empresários locais, principalmente quando comparado a 2020 e 2021”, comemorou.

 

Segundo Lucena, o momento mais crítico enfrentado pelo comércio em Natal foi na metade final do ano, que contou o cenário político com primeiro e segundo turno de eleições e a Copa do Mundo – que tradicionalmente acontece nos meses de junho e julho mas que, desta vez, foi realizada em dezembro. Para o presidente, estes fatos impactaram o foco do consumidor do comércio em geral. “Um ano de recuperação, contudo tumultuado. Tivemos eleições e copa do mundo fora de época, fatos que tiraram um pouco o foco do consumidor do comércio em geral. O segundo semestre do ano foi difícil apesar de termos datas comerciais fortes, pois as eleições e a Copa do Mundo fizeram com que o comércio tivesse um desempenho aquém da nossa expectativa”, avaliou.

 

Mesmo com estes eventos, o presidente da CDL comemorou o crescimento do segmento de serviços e também a geração de empregos para o segmento. “Em outubro, por exemplo, foram abertos pelos setores de comércio e serviços 1.086 postos formais de trabalho de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), fato positivo para a economia como um todo”, disse.

 

José Lucena afirmou que este ano pode ter sido considerado por setores da economia como um período de retomada. “Algumas questões se consolidaram no plano nacional, como o combate à inflação, estabilização da política de combate ao Covid-19, estruturação de contas públicas, dentre outras questões. Este fato se refletiu localmente. Sabemos que muito da economia do RN vem da responsabilidade do Poder Público Estadual com as contas públicas”, afirmou.

 

No entanto, ele afirma que 2022 foi um ano em que o governo estadual pôde aumentar a arrecadação em virtude do reaquecimento do mercado e até mesmo pela inflação, alegando que com os preços de produtos e serviços subindo, há aumento na arrecadação. “Infelizmente não foi visto nenhum trabalho que fortemente procurou reduzir as despesas públicas. O que se viu foi um aumento considerável, contando com o aumento de arrecadação que também aconteceu. Isso faz com que tenhamos sempre que sustentar essa máquina funcionando. Entretanto, é preciso apontar que investimentos estruturantes também não aconteceram. Mesmo assim, é um ano para se comemorar”, pontuou.

 

Questionado pela reportagem sobre o que faltou para que o segmento fechasse 2022 como um ano ideal pós-pandemia, foi o aumento do poder de compra do consumidor, equilíbrio fiscal e financeiro. Ele também criticou o reajuste do ICMS sugerido pelo Executivo estadual e aprovado na Assembleia Legislativa do RN. “A questão do ICMS vai impactar na vida e no hábito de consumo de todos, Infelizmente! Não tem como driblar, o imposto incide sobre tudo que consumimos. O que vai acontecer é o aumento dos preços devido ao aumento do imposto e consequentemente uma retração no consumo, até porque o poder de compra do consumidor está cada vez menor e os custos só aumentam. O comerciante vai ter de ser criativo, proporcionar algo a mais para conquistar o consumidor, e aproveitar as oportunidades, como por exemplo as datas comerciais e promoções”, apontou.

 

Convidado a projetar 2023, o presidente da CDL Natal fez questão de mostrar que aguarda o melhor cenário possível. “Somos por natureza otimistas. Claro que estamos cientes de que a mudança de governo e uma nova política econômica tende a nos primeiros meses do ano segurar um pouco os investimentos e o consumo, é natural, mas com o passar dos meses a situação se estabiliza e voltaremos a ter crescimento”, projetou.

 

 

 

Fonte: Agora RN

30 de dezembro de 2022

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