A nova mentalidade do varejo



Com o tema A metanoia do varejo, Dirceu Simabucuru explicou a metanoia, segundo ele,  uma mudança interna da forma de ver a vida. Uma transformação na forma de enxergar a vida e seus valores. “A gente teve uma mudança muito grande na sociedade. Com a pandemia, ficamos quase dois anos presos dentro de casa, no trabalho híbrido ou home office, a compra pela internet. As pessoas tiveram tempo para refletir um pouco, sair da rotina, quando estamos na rotina, não conseguimos refletir muito. A pandemia fez a gente ficar trancado, voltar os olhos para a família, para casa, se preocupar com a saúde. Isso tudo mudou a forma como a gente enxerga a vida. Grandes transformações são advindas desse processo”, refletiu.

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O palestrante também relembrou a guerra que está acontecendo na Ucrânia, e de como ela está mudando o cenário geopolítico do mundo, com alguns países entrando na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e como isso está acirrando mais ainda a tensão no mundo.

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Então Dirceu Simabucuru afirmou que com todos esses eventos a desigualdade social se agravou muito no mundo todo, não só no Brasil. Apresentou dados de uma pesquisa onde se verifica que 10% dos mais ricos têm 76% do patrimônio do planeta.  E um dado do Brasil, é que o 1% do mais rico recebe 40 vezes mais renda do que 50% dos mais pobres. Isso em termo de salário. “A diferença é gigantesca. Na Europa a diferença não é tão grande entre os cargos mais altos e os mais baixos, mas o Brasil é muito desigual”.

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Diante de todo esse cenário, ele afirmou que está gerando um descredenciamento do capitalismo, uma dúvida se o capitalismo está funcionando ou não. “O capitalismo já estava sendo discutido antes da pandemia, já não estava funcionando, estava deixando muita gente de fora e muita gente muito rica. O ganho das maiores fortunas, o que aumentou nesses últimos dois anos, foi imenso, ao mesmo tempo em que, empobreceu muita gente. Já sabe que o comunismo não funcionou que o socialismo não funcionou. O capitalismo era o que deixaria todo mundo com iniciativa, meritocracia, liberdade, isso são fatores importantes para a democracia, mas da forma como está indo, não está funcionando”.

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Em seguida, o palestrante disse que o que está se falando agora é o capitalismo de stakeholders, onde todo mundo tem que ser visto pela empresa, todos os setores e também olhar para as questões ambientais e sociais. E de acordo com ele, o termo ESG (environmental, social and governance) é o que está definindo todo investimento de capital no mundo atualmente. O termo corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização.

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Outro ponto abordado por Dirceu foi o Sistema B, que é uma comunidade global de líderes que usam os seus negócios para a construção de um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo para as pessoas e para o planeta. A empresa precisa ter um propósito forte, todas as ações do negócio são motivadas e comprometidas com a geração de impacto positivo para a sociedade e meio ambiente.  Uma organização com o selo de Empresa B certificada é um tipo de negócio que equilibra lucro e propósito considerando o impacto que isso pode gerar em todos os setores que envolvem a empresa. Hoje no Brasil apenas 233 empresas são certificadas.

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“Isso é um movimento recente que vem acontecendo no mundo, e é uma mudança de mentalidade. Não é apenas falar que é sustentável. O consumidor está mais consciente, procurando consumir de empresas que são comprometidas com causas sociais e ambientais”, falou.


15 de julho de 2022

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