
A agitação característica do comércio do Alecrim já começa a ganhar novos tons. A menos de dois meses para a abertura da Copa do Mundo de 2026, que terá seu pontapé inicial no dia 11 de junho, o verde e o amarelo já começam a sinalizar a expectativa para o hexa e também para o movimento que o evento esportivo traz para as empresas do varejo local.
De acordo com Leonardo Ramos, gerente do Ponto dos Botões no Alecrim, os clientes já começaram a pesquisar valores de itens de decoração, acessórios para a casa e enfeites para o cabelo. “Já temos uma maior procura por bandeirinhas de modo geral. Alguns clientes já estão começando a comprar bandeiras para o carro. A gente espera uma procura grande quando começar mesmo o período”, explica.
A dona de casa Beatriz Santana, de 54 anos, afirmou que ainda não comprou os itens temáticos, mas já está pesquisando os preços e se mantém animada, pois é um período bastante esperado por sua família. “É tradição decorar a casa em época de Copa. Eu tenho um comércio e o deixo temático também; é uma festa para todos lá em casa. As expectativas estão ótimas e a gente já está se preparando”, comenta Beatriz Santana.
A filha dela, a confeiteira Natália Cristina, 27, também se diz empolgada com o período e afirma que já iniciou as pesquisas para as compras. “Meu esposo não perde um jogo, e a família fica toda reunida. Eu gosto bastante de bandeirinhas para enfeitar a casa. Vamos arrumar tudo e torcer para que o Brasil ganhe”, afirma.
No Shopping do Alecrim, a vendedora da D´Love Moda Feminina, Débora Layne, trabalha no negócio da família há anos e comenta que datas sazonais são muito importantes para movimentar o comércio. “A procura já começou e os consumidores já estão levando peças com o tema. Camisetas e blusas femininas saem mais, e os preços estão a partir de R$ 30. Alguns clientes também comentam sobre a Copa; estão desanimados com resultados anteriores, mas o comerciante tem que sempre acreditar nessa época”, incentiva.
Nos camelódromos, o verde e o amarelo já tomam conta dos espaços, com utensílios de decoração, beleza e vestimentas. Há camisetas masculinas, femininas e infantis, além de biquínis e conjuntos com preços variados, a partir de R$ 20.
Conforme explica o comerciante Lucas Renan, a tradicional camiseta amarela vem sendo substituída pelos clientes pela cor azul, que tem sido uma grande pedida do público. Ele afirma que a busca já começou, mas que o público deverá se tornar mais efetivo nas compras às vésperas da Copa. “Eu acredito que, quando estiver mais perto, as vendas vão aumentar, porque muitas pessoas deixam as coisas para a última hora.”
CDL mantém expectativa positiva para as vendas
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), os impactos de vendas durante a Copa são bastante positivos. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil, mostra que 33% dos empresários do comércio e serviços acreditam em um aumento nas vendas durante o período. Entre aqueles que projetam crescimento, a expectativa média é de até 27% de incremento no faturamento.
Além disso, o estudo indica que cerca de 72% dos consumidores afirmam que pretendem ter gastos extras durante a Copa, principalmente com alimentação, bebidas e momentos de convivência social.
“A Copa cria um ambiente de engajamento coletivo, estimula encontros entre amigos e familiares e, naturalmente, impulsiona diversos segmentos do comércio. Por isso, nossa expectativa é de crescimento em áreas ligadas ao consumo doméstico, lazer e alimentação”, declara José Lucena, presidente da CDL Natal.
“Há um forte crescimento na procura por bandeiras, camisas, decoração nas cores do Brasil e artigos para confraternização. Esse tipo de produto está diretamente ligado ao sentimento coletivo que o evento desperta. Isso também impacta bares, restaurantes e o comércio de bairro, que se adaptam para atender a essa demanda mais festiva e social”, finaliza.
Para Matheus Feitosa, presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), o comércio aposta na fidelidade dos clientes para superar obstáculos. “Soma-se a isso o desafio crescente da concorrência com o e-commerce, que pressiona preços e exige adaptação. Muitas lojas têm investido em vendas digitais por sites, redes sociais e aplicativos, mantendo também a força do atendimento presencial. A combinação entre tradição, inovação e expectativa da Copa torna promissora a perspectiva de aumento nas vendas”, enfatiza.
Fotos: Adriano Abreu
Matéria :Tribuna do Norte
29 de abril de 2026